Dicas de segurança dos alimentos para delivery em meio ao Covid-19

Muitos empreendimentos já estão intensificando as estratégias de delivery para esse período em que muitas pessoas deverão ficar em casa, evitando aglomerações. O cenário da segunda quinzena de março é de que o atendimento presencial em serviços de alimentação foi interrompido em muitas localidades no Brasil. Por isso, se adequar desde já ao delivery passa a ser muito importante para o empresário. 

Muitas vezes, a entrega não é feita diretamente pelo empresário. Por isso, trata-se de um momento de expansão para os entregadores, que poderão observar aumento da demanda nesse período. Porém, esse importante elo também precisa se adequar, reforçando os cuidados necessários, para se proteger e a todos com o qual tem algum contato. 

Para o consumidor, é uma oportunidade de adquirir refeições no conforto do lar. Além disso, os serviços de alimentação apresentarão uma abrupta queda da demanda, então é uma chance de apoiar aqueles empreendedores que fazem de tudo para fornecer alimentos de qualidade nesse momento delicado. 

Esse material não visa esgotar os cuidados necessários com a segurança do alimento, mas alertar sobre alguns pontos relevantes em tempos do novo Coronavírus. 

Para quem produz os alimentos 

Não há evidências científicas, até o momento, de que alimentos são uma fonte de contaminação direta do Covid-19. Mas, se o manipulador estiver doente, há risco de contaminação indireta por meio do alimento. Por isso, em caso de suspeita, o colaborador não deve ter acesso ao ambiente de trabalho, seguindo sempre as recomendações dos órgãos públicos para cada caso (ficar em casa ou se dirigir a um atendimento médico). 

Na produção, o alimento deverá estar seguro se passar por um processo completo de cocção, já que o vírus é sensível à temperatura. Por isso, pode ser importante evitar, nesse momento, produção e delivery de alimentos crus e frescos. Se esses produtos forem oferecidos por demandas e necessidades específicas do consumidor, o cuidado deve ser multiplicado, e os alimentos crus devem ser separados dos cozidos.  

Como sempre, é fundamental seguir à risca a RDC ANVISA nº 216/04.  Sobre máscara, a OMS recomenda seu uso racional para evitar desperdício e a falta ocasionada pela utilização sem critérios. Para manipulação de alimentos, a máscara é um aliado, bem como a luva, mas apenas se forem trocados com frequência. Manter a assepsia das mãos é o modo mais seguro de evitar a propagação do vírus. 

Ainda, cabe ao empresário de serviços de alimentação garantir que o delivery proporcione: 

  • Acomodação em embalagens adequadas, íntegras e limpas; 
  • Inclusão de informações sobre o consumo do alimento (ex. rotulagem informando para consumir imediatamente ou orientação de aquecimento); 
  • Lacres de segurança são obrigatórios, a exemplo de São Paulo; 
  • Agilidade entre o tempo de produção e entrega; 
  • Cuidado com o manuseio não apenas na produção, mas também pelo entregador, por meio de orientação; 
  • Entrega do alimento ao cliente na temperatura apropriada, seja refeição pronta ou congelada. 

Veja mais sobre Delivery na cartilha Como organizar um serviço de delivery eficiente

Comunique ao seu cliente sobre os cuidados que estão sendo tomados, com foco na solução tomada e nos serviços oferecidos. Evite mencionar que “devido ao novo coronavírus, entregamos em sua casa”, pois a menção do seu produto e do vírus, em uma mesma frase ou card, pode gerar uma percepção negativa pelo cliente, por associação. 

No Portal do Sebrae, você encontra materiais orientativos sobre as boas práticas, incluindo um curso online de Boas Práticas nos Serviços de Alimentação.

Ainda, o Sebrae e a Abrasel desenvolveram, em parceria, o projeto Gastronomia Digital, com 27 vídeos e ebooks sobre alimentação. 

Para quem entrega

Os aplicativos de entregas estão divulgando que deverão apoiar os entregadores que entrarem em quarentena ou contraírem o Covid-19, ou avaliando essa possibilidade. Isso porque é fundamental que os entregadores com suspeita se afastem por completo dessa atividade. 

Essas empresas estudam como serão as jornadas e o dia-a-dia dessas operações e quais serão os cuidados necessários para evitar que o próprio entregador se torne um vetor do vírus (de cliente para cliente) ou se contamine. Esses cuidados deverão garantir que essa atividade continue sendo um elo ativo e importante da cadeia, evitando o risco de que seja suspensa nesse momento de crise, envolvendo a necessidade de que os entregadores realizem a assepsia das mãos constantemente, por exemplo: antes de retirar os pedidos no serviço de alimentação, antes e após a entrega a cada cliente. Vale lembrar que a assepsia das mãos, conforme a RDC ANVISA nº 216/04 é a “operação que visa a redução de microrganismos presentes na pele em níveis seguros, durante a lavagem das mãos com sabonete antisséptico ou por uso de agente antisséptico após a lavagem e secagem das mão”, a exemplo do álcool 70% (líquido ou em gel). Assim, apenas passar álcool nas mãos não garante a higienização completa. 

É fundamental, também, que os entregadores sigam todas as recomendações oficiais de cuidado, evitando contato físico ou prolongação de conversas com fornecedores e clientes. Além disso, é importante manter a bag e guidão/volante, bem como outros materiais, equipamentos e máquinas (ex. maquininha de cartão), sempre desinfetados com álcool 70%.

Para o cliente final

Ao realizar um pedido, prefira alimentos cozidos ou que passaram por outros processos de cocção, pois o risco de contaminação indireta é maior em alimentos crus. No caso de saladas, por exemplo, pode ser mais indicada a aquisição do produto fresco em estabelecimentos especializados, com higienização no lar. Além dos produtos prontos para consumo, refeições congeladas também são uma boa opção.

O consumidor que pediu o delivery deve realizar assepsia das mãos antes de receber o entregador. Faça o recebimento o mais rápido possível, sem deixar o entregador esperando. Priorize pagar online no momento do pedido, para evitar contato com as maquininhas e cartão no momento da entrega. Isso reduz também o tempo em que o alimento demora para ser entregue para você e para os próximos clientes, o que contribui para minimizar os riscos de exposição e outros tipos de contaminação. Caso esteja em isolamento peça para alguém do prédio, vizinho ou familiar fazê-lo para você e deixar à sua porta.

Os entregadores deverão respeitar os direcionamentos recebidos da empresa, então atenção aos cuidados e possíveis orientações que esses profissionais lhe indicarem no momento da entrega. Isso envolve evitar contato com as mãos do entregador e com outros materiais, usando luvas descartáveis, se possível. Após, jogue fora as luvas e a embalagem externa imediatamente e assepsie as mãos antes de tocar na embalagem interna para se servir.

Tome muito cuidado para não contaminar o alimento quando for retirá-lo da embalagem. Além disso, lave as mãos e os utensílios que serão utilizados com água e sabão neutro.

Antes de consumir, avalie as condições do alimento. Na dúvida sobre a integridade do alimento, contate o fornecedor e solicite orientações. Siga as recomendações do fornecedor para refeições congeladas. No caso de alimentos prontos, se o consumo não for imediato, coloque na geladeira e reaqueça imediatamente antes de consumir. E, caso o consumo seja imediato, mas a comida tenha demorado para chegar e esteja com uma temperatura apenas “morna”, faça o reaquecimento antes de saboreá-la.

Escrito por Mayra Viana, colaboradora do Sebrae Nacional e revisto por Karyna Muniz, colaboradora do Sebrae SP.

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